Eu, eu mesma, minhas roupas e meus temores.

Muita das vezedois_de_julho_marchas não nos damos conta de como estamos subordinados ao que socialmente somos impostos e expostos no nosso cotidiano. Acredito eu que, quem tenha facebook e acessado a seus e-mails do yahoo nestes últimos dias tenha acompanhado, mesmo que de longe, o caso Nicole e Thomás.  Isso, o moço que tentou enfiar a mão na tchebs da moça lá. É fato que uma torrente de blogs feministas e ativistas se manifestaram em defesa dela, repudiando tal atitude violenta e absurda, chamando atenção para a “cultura do estupro” que sempre culpabiliza a vítima e para aquele papo que ouvimos desde menines: “Mulher tem q se dar valor”, “Pediu pra ser estuprada, usando uma roupa dessas” e etecétera. Poderia focar aqui no caso da Nicole, mas muitas pessoas já o fizeram, e, muito bem por sinal, então não vou repetir as coisas com as quais concordo veementemente.

 

Então eu como mulher queria desabafar, falar das táticas que tenho que usar para não ser ‘atacada’, pelos senhores nas ruas do dia a dia da minha cidade.
Gostaria de começar dizendo que não sou possuidora de nenhuma beleza fora do comum, minha beleza não é a do tipo que seria aclamada pela mídia e não, não seria facilmente contratada para trabalhar na malhação por conta dos meus dotes estéticos. Sou assim, bonita, como a maioria das mulheres.

 

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Na minha cidade há o uso de kombis e vans como meios de transporte coletivo, enfim. Esse era o meio de transporte mais usual p mim por conta do preço e do tempo que eu levava p chegar até o pré-vestibular. Eu fazia pré-vestibular no período da noite,  confesso que ficava com o coração na mão quando eu me deparava com a situação de estar sozinha na kombi com o motorista, ou mesmo quando não havia nenhuma outra mulher na condução. E quando esse fato se dava e eu estava de saia, ou com uma roupa mais leve por conta do calor, pqp! Era muito mais tenso, pq as vezes tem uns caras que fazem questão de fazer vc se sentir como um objeto sexual ou um Big Mac na Somália, conclusão, evitava ao máximo ir de saia e qq tipo de roupa ‘provocante’ para não despertar estes tipos de olhares, que faziam eu me sentir em situação exponencial de risco. Mas sabemos que mesmo de burca esse tipo de coisa acontece  e nada justifica melhor esse fato do que justamente essa cultura do MACHÃO ALPHA que se perpetua até os dias de hoje, onde alguns se acham nos tempos da caverna, totalmente.
Atualmente, não pego kombi nem van a noite sem estar acompanhada de alguém q eu conheça, nem por um caralho! E p piorar a situação, e meu trauma, esses dias estupraram uma turista americana aqui no RJ e o Sr. governador disse q isso é um caso isolado, aham, isolado, vai checar o crescimento que os casos de estupros têm tido.
O fato é: É certo eu precisar escolher meu tipo de vestimenta e condução de acordo com o medo que eu tenha desenvolvido por conta dos possíveis ataques de homens que não sabem segurar sua pulsão sexual latente?
NÃO, NÃO É CERTO. O certo seria eu poder ir e vir, com as roupas que eu quisesse, do jeito que eu quisesse, sem me preocupar com possíveis ataques, pq estou andando a noite e/ou sozinha.

A violência não deve ser institucionalizada e naturalizada. O fato de eu e diversas outras mulheres terem de se vestir de acordo com a violência a ser evitada não deve ser algo natural e aceitável, devemos SIM lutar contra esse tipo de pensamento, buscar nossa liberdade e direito de IR E VIR e citando um cartaz da Marcha das Vadias: “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente com a roupa que eu escolhi e poder me orgulhar que de burca ou de shortinho todos vão me respeitar!”

 

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